É melhor jogar papel higiênico no lixo ou no vaso?
Se o esgoto do seu bairro for mandado para uma estação de tratamento, o indicado é jogar no vaso sanitário.“O papel higiênico - tanto faz se mais fino ou mais grosso - vai ser parcialmente dissolvido na água e o que chegar à estação de tratamento será separado e descartado em um aterro sanitário junto com os demais resíduos sólidos”, explica Hélio Padula, gerente de serviços da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). “A pessoa só não pode exagerar na quantidade de papel por vez para evitar entupir o vaso ou as instalações hidráulicas da casa”, diz.
Se for jogado no cesto de lixo, o papel também vai parar no aterro, porém, por ser embalado em sacos plásticos, seu impacto ambiental é maior - plásticos, como se sabe, levam décadas para ser decompostos na natureza.
Caso sua cidade não conte com uma rede coletora de esgoto ou uma estação de tratamento (para se informar disso, ligue para a concessionária de esgoto local), jogue o papel higiênico no lixo do banheiro. Quando lançado no vaso, ele entope mais rapidamente a fossa séptica (tanque enterrado no jardim ou quintal da casa para onde vai o esgoto doméstico quando não há rede coletora). Ao mesmo tempo, aumenta a poluição das águas, já que o esgoto de cidades sem estação de tratamento é despejado in natura em rios ou no mar. Fraldas, absorventes higiênicos e camisinhas devem ser jogados no lixo.
A lei do Saneamento Básico, promulgada em 2007, prevê o investimento de 200 bilhões de reais em 20 anos para universalizar a coleta e o tratamento de esgoto no país. “Como a Copa acontece daqui a cinco anos, a sugestão é que os governos federal e estaduais antecipem metas e disponibilizem os recursos necessários. Na outra ponta, as prefeituras precisam aplicar a verba em saneamento e a sociedade deve se mobilizar e exigir que esta aplicação dos recursos seja concretizada”, observa Pinho.
Impactos sociais
Segundo o coordenador da pesquisa pela FGV, Marcelo Côrtes Neri, “comparado com serviços como luz e água, cujos índices de atendimento são bastante altos, o esgoto é sempre o último a chegar às residências brasileiras”. As consequências do descaso são inúmeras, como constatou a pesquisa por meio do cruzamento dos dados do saneamento com itens como problemas de saúde, educação e impacto na renda da população.
No caso da mortalidade infantil, os efeitos da falta de saneamento são visíveis. O índice de óbitos de crianças de 0 a 6 anos sem atendimento adequado dos serviços de saneamento é 22% maior que entre crianças com acesso à rede. Outro dado que afeta diretamente o desenvolvimento das crianças é que apenas 39% das escolas do país são conectadas à rede de coleta.
A falta de saneamento básico também provoca impactos negativos na renda do trabalhador. O estudo observou que 12% das faltas ao trabalho relacionam-se à carência de serviços básicos, como acesso à coleta de esgoto e água tratada.