Pesquisa denuncia falta de saneamento nas cidades da Copa
Divulgada hoje, uma pesquisa desenvolvida pela FGV e contratada pelo Instituto Trata Brasil constatou que, entre as doze cidades-sede da Copa de 2014, Natal, Manaus e Cuiabá são as que têm maiores deficiências em saneamento básico.
Na capital potiguar, que ocupa a última posição do ranking, cerca de 80% das residências não é atendida pela rede geral de esgoto. Nas capitais do Amazonas e Mato Grosso, a carência de atendimento atinge 34,98% e 41,21% das moradias, respectivamente.
O outro extremo da lista mostra uma realidade bastante diferente. As regiões metropolitanas de Belo Horizonte, São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba apresentam índices de atendimento superiores a 80% das residências. Na capital mineira, que aparece na primeira posição do ranking, praticamente a totalidade da população metropolitana têm acesso à coleta de esgoto.
A pesquisa também mostra o contraste entre as capitais metropolitanas e suas periferias. Mesmo em Belo Horizonte, um quarto da população que vive ao redor das áreas centrais convive com a situação de esgoto a céu aberto. O quadro é mais dramático nas periferias de Porto Alegre, Fortaleza e Pernambuco, onde menos de dois terços da população têm acesso à coleta de esgoto.
50% dos domicílios têm “esgoto a céu aberto”
O presidente do Trata Brasil, Raul Pinho, reconhece que houve ampliação da rede de esgotos nos últimos cinco anos, mas afirma que o problema está longe de ser equacionado. Segundo dados da pesquisa, apenas 49,4% da população brasileira é servida pela rede de coleta. Ou seja, praticamente metade do Brasil convive com a situação de “esgoto a céu aberto”.
Para Pinho, o país deve encarar a Copa do Mundo de 2014 como uma oportunidade de universalizar o saneamento básico no país. “A Copa é um marco por sua capacidade de atrair investimentos e de chamar a atenção de todo o planeta. Exatamente por isso os governos têm obrigação de priorizar o serviço”.